Bioquímica do Exercício
Bioquímica do Exercício
Aula de 27 de abril de 2026
Antes do Conteúdo, as Conexões.
No primeiro encontro com a turma do primeiro ano de Educação Física da Fatec, a proposta foi diferente daquela que normalmente se espera no início de uma aula de bioquímica do exercício. Antes de entrar diretamente nos conteúdos, a intenção foi criar conexões humanas. A ideia apresentada aos estudantes era simples: antes de conectar pessoas ao conhecimento, é preciso conectar pessoas entre si. Conversar, ouvir, se apresentar, reconhecer o outro e perceber que cada trajetória carrega histórias, expectativas e experiências únicas.
A atividade aconteceu de forma aberta e acolhedora, inspirada em práticas de diálogo e escuta que valorizam o coletivo e a construção de vínculos. Aos poucos, o espaço deixou de ser apenas uma sala com desconhecidos e passou a se transformar em um ambiente de troca genuína. Enquanto cada pessoa falava, os demais ouviam com atenção, curiosidade e respeito. Não havia pressa. O mais importante naquele momento era permitir que as vozes circulassem.
As conversas revelaram uma turma extremamente diversa. Surgiram histórias de quem estava retornando aos estudos depois de muito tempo afastado da vida acadêmica, convivendo com o desafio e a coragem de recomeçar. Também apareceram trajetórias marcadas pelo esporte, pela dança, pelas lutas, pela academia e por diferentes formas de viver o movimento corporal. Alguns estudantes já carregavam experiências práticas importantes; outros estavam começando a descobrir agora o próprio lugar dentro da Educação Física.
Ao longo da roda, vieram relatos descontraídos, engraçados e espontâneos. Houve espaço para falar sobre comidas favoritas, preferências musicais, estilos de vida, experiências no vestibular, sonhos profissionais e expectativas em relação ao curso. Vegetarianos, veganos, fãs de churrasco, apreciadores de comida japonesa, pessoas mais introspectivas, outras mais expansivas, diferentes personalidades convivendo no mesmo espaço e descobrindo afinidades.
As histórias compartilhadas mostravam não apenas gostos pessoais, mas formas diferentes de enxergar a vida. Alguns contavam sobre momentos em que perceberam, pela primeira vez, que realmente queriam estudar Educação Física: muitos ligados à sensação de estar na academia, montando um treino, praticando esportes ou vivendo experiências corporais que despertavam pertencimento e propósito. Outros demonstravam encantamento pelas possibilidades profissionais do curso e pelas portas que ele pode abrir.
Também surgiram relatos de amizades que começaram ainda na época do vestibular, criando desde cedo pequenos laços dentro da turma. Entre brincadeiras, memórias e situações curiosas do cotidiano, o grupo foi se aproximando de maneira leve e natural. Havia estudantes com perfis de liderança bastante evidentes, outros mais silenciosos, mas igualmente atentos a tudo que era dito. Mesmo nas diferenças, existia interesse genuíno em ouvir o outro.
A estrutura da instituição também apareceu como tema das conversas. Muitos estudantes demonstraram admiração pelos espaços, pelas possibilidades de prática esportiva e pela grandiosidade do ambiente, descrevendo o lugar como inspirador para a formação profissional que desejam construir.
Ao final da atividade, já era possível perceber mudanças no clima da turma. O que antes parecia apenas um conjunto de pessoas desconhecidas começava a ganhar contornos de grupo. Os olhares estavam mais próximos, os sorrisos mais espontâneos, as conversas mais naturais. O encerramento aconteceu em meio a aplausos, mas principalmente com a sensação de que algo importante havia sido construído naquele encontro: conexões fortalecidas pela escuta ativa, pelo diálogo, pelo respeito às diferenças e pela experiência de simplesmente parar para ouvir e ser ouvido.
Antes mesmo do início formal dos conteúdos da Bioquímica do Exercício, a turma já havia vivido uma das aprendizagens mais importantes da formação humana: perceber que nenhum processo educativo acontece de forma verdadeira sem vínculo, presença e humanidade.